segunda-feira, 5 de maio de 2014

PAULO FREIRE: Educação e Mudança

Segundo Paulo Freire, 2001, o ato de refletir e sua capacidade de atuar tornam o homem um ser comprometido. O fato do mesmo ser capaz de atuar, operar, transformar a realidade conforme a finalidade torna o homem o ser da práxis. O verdadeiro compromisso parte de uma consciência crítica. Este necessita de um conhecimento da realidade, deixando de ser algo passivo, mas tornando-se prática e reflexão sobre a realidade. Se o ser não for capaz de refletir sobre sua ação no mundo, a ele não será permitido transpor os limites impostos pelo próprio mundo, tornando-o incapaz de compromissar-se.
O compromisso é próprio da existência humana e só existe no engajamento com a realidade. Para Freire, 2001, o verdadeiro compromisso é a solidariedade com aqueles que se encontram convertidos em coisas. Ele ainda aponta o compromisso profissional, afirmando que o homem deve ser compromissado por sua natureza humana, e que a capacitação deve ser contínua. Com o intuito de ampliar sua visão crítica, o uso de tecnologias para aperfeiçoamento profissional, implica um compromisso ainda maior com a sociedade.
A consciência, também abordada nesta obra, trata do homem como um ser inacabado, mostrando a necessidade de buscar cada vez mais o conhecimento. Quando o homem se percebe inacabado nasce a necessidade da educação, uma busca em comunhão com os outros. A partir daí tem-se a estimulação da consciência, na busca da reflexão de sua própria realidade, tornando-o um ser social e histórico. A consciência é inata e na medida em que conhece tende a se comprometer com a própria realidade
Outra categoria abordada por Paulo Freire é a questão da mudança. O dinamismo e a permanência da estrutura social fazem-na objeto de estudo, onde não se pode estudar a mudança sem estudar a estabilidade. A partir daí o homem cria seu mundo histórico-cultural, considerando-o como o ser da práxis. O ser humano sempre toma partido por alguma coisa, com a opção de aderir a mudança ou ser a favor da permanência. Aquele que opta pela mudança não consegue percebê-la como ameaça. È impossível ao ser humano ser imparcial, de alguma forma, sua decisão irá gerar uma mudança.
Para isso, a mudança exige do ser social uma reflexão crítica do seu contexto social, começando pela escola. Assim aquele que opta pela mudança deve levar a conscientização aos outros para que também se conscientizem, gerando uma mola propulsora com o intuito de transformar para ser mais.
Não obstante, a integração compromisso, consciência e mudança, dá ao homem um senso crítico. A mudança nasce a partir do momento em que há criação e recriação e decisões dentro do contexto temporal. A sociedade está em constante mudança as quais denominamos transições, daí, a mente-crítica torna-se imprescindível para que não haja distorções da realidade.
Ao se tronar crítico exige-se do homem uma participação popular nas decisões, tornando a educação libertadora e revelando ao homem como é estar no mundo, com o mundo.